CORPO, COMIDA E O CAMINHO DE VOLTA PRA CASA!

Atualizado: 14 de Abr de 2021

Por Fabiane Rezende

Nutricionista. Mestre e Doutora em Ciência da Nutrição.

Instrutora de Mindful Eating para Promoção da Saúde.

Fundadora do Portal E-Nutrirmente e Idealizadora do CONBRACAS

E-mail: nutrifabianerezende@gmail.com


"Você não se dá conta quando faz isso aos poucos.

Há sempre um padrão de beleza que você não alcança.

Porque se você é magra, não tem a bunda que todo mundo quer.

Mas se você pesa o bastante para ter bunda, sua barriga não é lisinha.

É tudo... Impossível."


O relato acima é da Taylor Swift ao descrever seu transtorno alimentar no documentário Miss Americana, que retrata a vida da cantora e compositora norte-americana ao longo dos vários anos de sua carreira.


Muitas mulheres passam anos, até mesmo décadas de suas vidas em conflito com o corpo e com a comida, comendo emocionalmente, privando-se de comer aquilo que gosta e tentando encontrar uma saída por meio da prática de dietas, restrições, exclusões de determinados alimentos, vivendo um ciclo de emagrece/engorda sem fim em que a insatisfação é persistente.


A ciência da nutrição tem demonstrado os prejuízos para quem vive no ciclo repetido de dietas e que a autonomia alimentar é o caminho para se conquistar práticas alimentares saudáveis. Entretanto, muitas mulheres não sabem como seguir esse caminho de autonomia que demanda competências e habilidades que nem sempre temos ou que perdemos em nossa trajetória de vida. E a depender do nosso sistema de crenças e do nosso estado emocional, encontrar o tão desejado equilíbrio com a comida pode ser bastante desafiador.


Ter clareza daquilo que você deseja genuinamente é essencial para que você escolha um profissional com competências e habilidades alinhadas com seus objetivos. No campo da nutrição existem diferentes formas de se conduzir um processo terapêutico que variam conforme as bases formativas do profissional e conforme os modelos ou linhas teóricas nas quais ele fundamenta sua prática e as necessidades e perfil da paciente.


O que é mais importante para você quando busca ajuda de um profissional para cuidar da saúde?


Você direciona essa busca a partir de quê?


Que tipo de atendimento você espera?


Sabemos que essa escolha é muito particular e que cada pessoa se conecta de uma determinada maneira com o terapeuta. Às vezes essa conexão já é incrível logo no primeiro atendimento, às vezes ela é construída e fortalecida durante o processo e pode até ser que não role "aquela" conexão.


O fato é que um processo terapêutico envolve numerosas sessões e nutrir essa conexão é fundamental para ambos, paciente e terapeuta. Empatia, corresponsabilidade e confiança são essenciais. Redesenhar a trajetória de cuidado com a saúde e com a alimentação e incorporar novos hábitos demanda paciência e persistência e este processo envolve pilares que considero básicos: Autoconhecimento, Autocompaixão, Autocuidado e Autonomia.


Podemos considerar que o processo terapêutico envolve um itinerário "de volta para casa"! E nesse percurso são criadas oportunidades de olhar para si, reconhecer seus valores e suas necessidades. Para escolhermos a melhor a forma de nos nutrir é preciso ir além do saber, é preciso sentir... conectar-se com o corpo, com a mente e com o coração. É preciso também aprender a se acolher e a entrar em ação com foco na solução para os conflitos com a comida e com o corpo. Conquistar a autonomia e consciência alimentar exige um mergulho profundo, feito pelo nutricionista e paciente juntos, de forma segura, amorosa e ao mesmo tempo muito transformadora.


Não é porque aquela sua amiga teve um excelente resultado com determinado profissional que você também terá o mesmo desempenho. Não é assim que funciona! Cada pessoa e seu processo terapêutico são únicos! A nutricionista, com suas habilidades e sua caixa de ferramentas, junto com a paciente vai construindo essa jornada e fazendo a abordagem mais apropriada caso a caso. Os objetivos e desafios trazidos pela paciente e as suas dificuldades em alcançar uma relação equilibrada e harmoniosa direcionam o plano de ação e a escolha das melhores estratégias.


Na minha prática clínica, que envolve uma abordagem sem prescrição de dietas, atendo mulheres que desejam melhorar seu comportamento alimentar e conquistar autonomia para ter uma alimentação equilibrada e saudável. Durante o itinerário vamos clarificando as necessidades, traçando os objetivos e escolhendo as melhores estratégias e a forma como esse caminho será percorrido. Na maioria dos casos, seja no atendimento individual ou em grupo, as principais abordagens que utilizo nesta jornada são: aconselhamento nutricional, terapia cognitivo-comportamental aplicada à nutrição, intuitive eating e mindful eating, sendo esta última a abordagem predominante em meus atendimentos.


Mindful Eating é um tipo de intervenção baseada em Mindfulness, portanto, suas bases incluem atenção, intenção e atitudes que são direcionadas ao contexto da alimentação e saúde. No trabalho em grupo, o programa é estruturado em oito sessões de duas horas cada com um itinerário que inclui práticas de meditação guiadas (formais) e outras práticas (informais) que são levadas para a relação com o alimento e com o corpo no cotidiano. Ao longo do processo deste processo, cada participante é conduzida com o intuito de:


- se perceber e reconhecer sua atual relação com a comida e com o corpo;


- reconhecer seus valores de vida e estabelecer ações compromissadas com os mesmos;


- desenvolver habilidades que lhe proporcionem maior consciência sobre sua relação com a comida e com o corpo;


- estabelecer uma conexão do corpo, da mente e das emoções com a alimentação e com os cuidados em saúde;